quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Rio, Cidade do Caos


O Rio de Janeiro é o símbolo postal e praticamente a capital do Brasil para os estrangeiros, que só sabem falar em “Samba” e “Rio de Janeiro” ao ouvir o nome da nossa querida nação tupiniquim. É no Rio, a cidade da beleza, onde se concentram muitas novelas, onde todo mundo quer ir tomar banho de praia – afinal todo brasileiro patriota tem que desfilar pela areia e se enfiar na água cheia de resíduos fecais de Copacabana -, e onde todo mundo parece estar eternamente de férias. Mas, como diz a conhecida canção, o Rio não é apenas cidade da beleza, mas também do caos.
Nesta semana, as manchetes de jornais e revistas apenas comprovaram tal fama. O Rio enfrenta essa semana uma semi-guerra civil onde traficantes e polícia disputam o controle sobre os territórios de algumas favelas cariocas, conflito este motivado pelo escarcéu que a bandidagem tem feito há alguns dias para dizer que “pode”, queimando carros, ônibus e qualquer objetivo grande e inflamável que apareça pela cidade. Bem, pelo menos para mim, que me considero uma pessoa bem sana, é loucura afirmar que o Rio de Janeiro tem capacidade de sediar olimpíadas e copa do mundo em um prazo tão curto com total segurança.
Basta assistir ao noticiário para se enxergar um cenário realmente preocupante. É quase tão ruim quanto os ataques do PCC em São Paulo há alguns anos. Foram necessários tanques de guerra para adentrar em favelas dominadas por traficantes de drogas, onde os ditos bandidos desfilavam e posavam para câmeras aéreas com armamento bélico nas mãos. Todos dizem que será tanquila a copa do mundo e também as olimpíadas, mas não seria prepotência afirmar isso? Centenas de traficantes, ao menos trezentos deles, corriam por um morro carioca numa imagem exibida pelo noticiário, com armas que devem usar no Afeganistão. E todos sabem que apenas quatro anos não é muito para executar um planejamento na segurança de porte suficiente para deter tantos bandidos. Eram nada menos de três centenas de homens segurando fuzis correndo pela rua no meio da tarde. E a matança já está profetizada, pois o comandante da operação afirmou ao vivo em rede nacional “Nós garantimos à todos que vamos pegá-los, não importa quanto tempo leve.”. Não sei como cabe para outras pessoas mas para mim, isso soou mais como um aviso aos trombadinhas dos morros, algo como “Vão logo cavando as suas covas.”.
Imagino como os moradores da cidade devem se sentir. Todo mundo sabe que o Rio não é o paraíso da segurança, mas depois do BOPE inteiro ter se reunido junto com as outras polícias e usado tanques de guerra com metralhadoras que podem disparar até mil balas por minuto em plena cidade, os cariocas devem estar se sentindo como se descobrissem que a redoma de vidro que lhes cercava era apenas uma bolha de sabão frágil, que acaba de explodir.
Rio, maravilhoso, bonito, alto-astral, cidade do caos. O bem vence o mal, como disseram mil vezes os entrevistados do jornal. E embora não acredite na divisão entre bem e mal, quero assim como todos acreditar nisso. Fluminenses devem estar sem dormir à noite com a paranóia na cabeça e sirenes nos ouvidos, e eu só dizer que é nessas horas que o Cristo Redentor serve de alguma coisa que não seja fazer charme. Talvez alguém pense quando olha para ele, enquanto o caveirão do BOPE passa pela rua, que o Cristo abre os braços para lhe dar esperança e dizer que Deus olha pela cidade do caos. Que o Cristo abra seus braços ao Rio de Janeiro, e que a cidade do caos volte a ser maravilhosa.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Fim de Ano: Entre o Céu e o Inferno

 
  Quando chega o final de novembro, todo mundo já está estressado. Nós, os adolescentes, simplesmente roemos as unhas só de pensar na ideia de poder chegar - depois de tanto sofrimento - às desejadas férias de janeiro. Sol, praia, verão. E se você é do tipo anti-social, Orkut, MSN, Facebook e dormir até a hora do almoço. Que delícia.
  Mas, é claro que o mundo simplesmente não quer nos dar o ócio que esperamos há pelo menos quatro meses, desde que voltamos das férias de julho. Não! São provas, uma seguida da outra. A cada dia que passa, mais stress. É como ser uma vaca no abatedouro: você só espera rezando pelo dia de amanhã esperando que se dê bem.
  Quem sabe que passou de ano muitas vezes simplesmente troca as tardes de estudo por sessão da tarde e brigadeiro, enquanto aqueles que passaram o ano na sessão da tarde e brigadeiro correm para os livros, em seu último ato desesperado para não ter que ver aquela professora chata enquanto aquele nerdzinho metido cruza as pernas e entope o nariz de bronzeador na beira-mar. E depois, os bons professores, aqueles que têm piedade de seus alunos relaxados, costumam substituir notas de prova pelas de trabalhos, para que os queridos estudantes tenham uma oportunidade de recuperar uma nota que há muito já está comprometida. No entanto, sabemos todos que o aluno preguiçoso muitas vezes não percebe que está condenado e que está recebendo uma ajudinha ao invés dos costumeiros puxões de orelha, logo, continua a copiar tudo da wikipédia, como sempre. Zero. Uau, você desceu ainda mais a ladeira.
  Ah, e ainda tem a questão do tempo. Você fica com muito menos tempo para estudar, uma fez que a sua mãe insiste em te arrastar por aí para ajudar nas compras de natal ou na compra daquele vestido ou camisa que você vai usar no jantar de fim de ano, pois, como ponto negativo da puberdade, você infelizmente não cabe mais na roupa de fim de ano que você comprou ano passado e ela tem que comprar logo antes que os preços pipoquem na temporada de compras natalinas.
  Mas antes que você reclame de notas injustas, diga que o professor trapaceou para que você ficasse na recuperação caro amigo estudante, apenas saiba: fim de ano é o purgatório, e você é julgado pelo que você esteve fazendo no ano inteiro. Caso foi o bom estudo, as férias lhe serão um céu, mas se você não quis nada, infelizmente seu final de ano será algo bem próximo à um pequeno inferno pessoal. Carma existe, caro amigo. E como.


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ENEM - À Pedidos

   Corre, corre, corre! Droga, são dez horas. Tenho que me arrumar, pra chegar de dez e meia. Ahm, porcaria, eu esqueci do meu lápis e da minha borracha. MAINHA, VÊ SE DEIXA O ALMOÇO PRONTO LOGO! Mas peraí, é proibido levar lápis e borracha! Que bom, menos coisa no estojo...Espera! COMO É QUE EU VOU FAZER A REDAÇÃO???!!!
    Felizmente eu não tive que fazer o ENEM deste ano. Mas foi no ritmo de stress digno da guerra do Iraque eu soube que os estudantes ficaram antes da prova. Como eu disse semanas atrás em "Pressão Máxima" provas são papéis almadiçoados que só servem para arruinar nosso sistema nervoso e nos fazer ficar a beira de um ataque de nervos. Além de nos fazer com que questões óbvias virem um negócio tão complexo quanto a Teoria da Relatividade.
   Me perguntaram o que eu achei da prova. Como eu não sou velha estou no Ensino Médio ainda, não fiz o bendito teste. Mas se querem saber eu acho ENEM, Vestibular e qualquer outra dessas provas simplesmente palhaçada. O lógico seria que nós aprendéssemos tudo o que necessitamos no Ensino Médio para fazer um teste onde fóssemos avaliados segundo MEC, para saber se a nossa aprendizagem é eficiente, e não fazer uma prova maior que um trem cargueiro em um tempo relativamente curto, trancados numa sala sem poder sair nem pra comer com questões que não sabemos nem pra quê iremos usar um dia para sermos aceitos numa universidade.
    Querem colocar questões gigantes para nós? Coloquem. Querem fazer uma prova dificílima que só irá aprovar os mais qualificados de todos, deixando de lado outros que apesar de não serem tão bons alunos tem os mesmos direitos de ingressar na universidade? Podem colocar. Agora, é claro que precisa-se ter um sistema educacional que permita aos seus estudantes que façam uma prova assim, porque, querendo ou não, se querem mesmo aplicar o ENEM ou o Vestibular, é preciso que se crie um sistema educacional capaz de preparar os alunos para esse tipo de teste, o que não é o caso do sistema educacional brasileiro.
    Ao invés de gastarem 69 milhões de reais (meu deus, até os números são indecentes nesse país) em provas falhas, melhor seria que investissem tal verba em educação de qualidade para todos, em escolas que funcionem e em professores que hoje são desestimulados e desqualificados para tornar o sistema educacional deste país um dos melhores, ou então pelo menos que não seja um dos piores como é hoje. E se fosse para gastar tanto dinheiro, que gastasse-no em uma gráfica menos falha, pelo amor de Deus.
    Ainda acho ruim ter que pedir às mainhas que tenham que fazer almoço tão cedo, e ainda acho ruim ter que perder o domingo e o sábado para fazer uma prova que no fim das contas ninguém gosta de fazer, mas que pelo menos investissem em qualidade tanto para a aplicação da prova quanto para a educação deficiente do Brasil.
     Hoje educação tornou-se uma forma de segregação social no Brasil, onde os mais pobres tem que ir pra a escola pública e os mais abonados para a privada. Onde você estuda hoje é uma forma de definir sua classe social. E não adianta fazermos provas que melhor avaliam as falhas no ensino que recebemos se já se sabe que não recebemos um bom ensino. Caso contrário, mainha vai continuar fazendo, como faz atualmente almoço às dez da manhã de domingo tendo que desistir da praia cheia de povão e da água salgada cheia de micróbios embutidos para que nós possamos fazer uma prova que na verdade não avalia os melhores, mas sim mostra que a esmagadora maioria não tira boas notas porque está sujeita a um sistema educacional exepcionalmente falho.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Feriadão

   Ah, doce feriadão. A gente amava. Lembra só? Quantos dias você ficava na casa da sua avó, brincando com seus primos, ou então na casa de praia daquele seu tio legal, indo pra praia todo dia, construindo castelos de areia ao sol do meio dia, correndo um iminente risco de desenvolver câncer de pele...Oh. Bons tempos aqueles. Hoje em dia você não tem mais saco de passar mais de 24h no mesmo ambiente que todos os seus primos, incluindo aquela chata que fica o dia inteiro pendurada no telefone, e também não está muito interessado em ficar na casa cheia de insetos daquele seu tio que hoje em dia você acha completamente sem-noção. Na verdade, tudo o que você quer é hibernar num quarto com ar condicionado, ter uma overdose de coca-cola e batatinhas fritas e passar a madrugada navegando na net, como sempre. Mas, bem, pais não são essencialmente compreensivos. Você não vai pra casa da vovó e do titio porque quer. Mas sim porque é obrigado.
   Feriados são uma faca de dois gumes: se por um lado você dá graças à Deus por não ter que ir à escola, você se irrita com o tédio supremo de passar o dia inteiro fazendo coisas que você não quer. Se você for sortudo, você ainda consegue se livrar da barra e passar o feriadão inteiro na sua casa, ficando acordado até as três da madrugada batendo papinho no MSN com aquele seu amigo que faz a peripércia de dormir às seis da manhã, acordando de uma da tarde e é claro, trocando todas as refeições por um belo prato de porcarias unidas à muito refrigetante. Ah, e se você tem casa no campo, naquele condomínio que tem aquela galera legal e aquela vizinha que você reza para aparecer na janela sem sutiã, você também consegue se safar. Mas, claro, nem todos nós somos sortudos. Titio e vovó muitas vezes nos aguardam.
   O verão chegou e agora, se você fica em casa, não tem mais o alívio da hibernação. Você é obrigado a dormir míseras cinco horas do sábado para o domingo, porque, é claro, é o domingão de verão. Acordando cedo, galera, pra todo mundo ir pra praia! Seus pais te sequestram pra você ver o monte de criancinhas correndo pela areia, tiozinhos que tem uma barriga que poderia abrigar trigêmeos bebendo cerveja e é claro, aqueles casos de coroas sem-noção com pelancas e gorduras espalhadas por todos os lados, que usam um biquini-fio-dental que caberia na sua irmãzinha de sete anos e ainda insistem em esfregar bronzeador que faz com que os pnezinhos e as coxas gordurosas fiquem brilhantes, como se tivessem recebido umas pinceladas de óleo de cozinha. Uh, a praia...Doce praia...
  Ainda dá pra se salvar quando aquele gatinho de sunguinha braca aparece correndo com seu tanquinho sarado ou então aquela loiraça bem-feita vem se rebolando de biquininho. Você limpa a vista e fica mais tranquilo. O problema é que coroas gordurosas infelizmente são mais comuns do que gente bonita e sarada correndo por aí, e logo quando você fica todo feliz porque viu aquela aparição na sua frente, geralmente vem uma das coroas chacoalhando a banha o esqueleto pra tirar aquela areiazinha básica que grudou em cima das celulites da bunda.  Oh, Deus, porque você não colocou gente mais sarada no mundo, hein?
  Bem, e depois que você é forçado a entrar na água salgada e ficar lá de molho enquanto seus pais te dizem "É bom pra tirar o mofo de tanto tempo na frente do computador. Sabe que eu não sei como seu corpo não trocou células por pixels?", você finalmente volta pra casa. Na segunda feira imprensada, você pensa que tem paz, mas adivinha só? É dia de você ir pro shopping com papai e mamãe! E assim, mais uma vez, sob ameaças de cortarem a internet, você sai com seus pais, fazendo aquela cara de felicidadade falsa e sorriso de doente enquanto reza à Deus: "Senhor, faz com que este maldito feriado acabe de uma vez!".