quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Férias de Verão

  É verão. Época de torrar toda a sua mesada em presentinhos para seus pais, amorzinho e amigos secretos e depois das festas colocar as malas, o repelente e o ventilador no carro e ir para a praia mais próxima. Época de ficar neurótica com seus pneuzinhos para entrar no biquini e de ser forçada por uma pressão social idiota a comer salada o tempo inteiro. Own, é uma delícia!
  Claro que o melhor do verão é se livrar da escola. Liberdade e férias se fundem numa deliciosa e mágica época onde você luta para estar em qualquer lugar que tenha um arcondicionado e toma tanto sorvete que a sua garganta acaba toda vermelha na volta às aulas.
  Mas, é claaro, nossos pais tem que fazer certas coisas que incomodam MUUUITO um pouquinho, tais como fazer questão de se esquecer do modem e do notebook em casa para você não poder estar conectado, e enfiado em algum fim de mundo, te acordar aos berros cedo da manhã, porque segundo eles, acordar de meio dia não faz bem à saúde (detalhe que eles não tem nem um pouco de conheciemento médico de verdade para falar isso). Ou seja, você é forçado a passar o dia inteiro resando para que não morra desidratado por causa do calor ou que não tenha insolação ou qualquer outra coisa que possa surgir por conta da temperatura digna do Saara durante o dia.
  Oh, céus, verão é mesmo uma delícia. E é ótimo, se você não morrer de tédio ou de calor ou falta de sono antes que as aulas recomeçem.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Rio, Cidade do Caos


O Rio de Janeiro é o símbolo postal e praticamente a capital do Brasil para os estrangeiros, que só sabem falar em “Samba” e “Rio de Janeiro” ao ouvir o nome da nossa querida nação tupiniquim. É no Rio, a cidade da beleza, onde se concentram muitas novelas, onde todo mundo quer ir tomar banho de praia – afinal todo brasileiro patriota tem que desfilar pela areia e se enfiar na água cheia de resíduos fecais de Copacabana -, e onde todo mundo parece estar eternamente de férias. Mas, como diz a conhecida canção, o Rio não é apenas cidade da beleza, mas também do caos.
Nesta semana, as manchetes de jornais e revistas apenas comprovaram tal fama. O Rio enfrenta essa semana uma semi-guerra civil onde traficantes e polícia disputam o controle sobre os territórios de algumas favelas cariocas, conflito este motivado pelo escarcéu que a bandidagem tem feito há alguns dias para dizer que “pode”, queimando carros, ônibus e qualquer objetivo grande e inflamável que apareça pela cidade. Bem, pelo menos para mim, que me considero uma pessoa bem sana, é loucura afirmar que o Rio de Janeiro tem capacidade de sediar olimpíadas e copa do mundo em um prazo tão curto com total segurança.
Basta assistir ao noticiário para se enxergar um cenário realmente preocupante. É quase tão ruim quanto os ataques do PCC em São Paulo há alguns anos. Foram necessários tanques de guerra para adentrar em favelas dominadas por traficantes de drogas, onde os ditos bandidos desfilavam e posavam para câmeras aéreas com armamento bélico nas mãos. Todos dizem que será tanquila a copa do mundo e também as olimpíadas, mas não seria prepotência afirmar isso? Centenas de traficantes, ao menos trezentos deles, corriam por um morro carioca numa imagem exibida pelo noticiário, com armas que devem usar no Afeganistão. E todos sabem que apenas quatro anos não é muito para executar um planejamento na segurança de porte suficiente para deter tantos bandidos. Eram nada menos de três centenas de homens segurando fuzis correndo pela rua no meio da tarde. E a matança já está profetizada, pois o comandante da operação afirmou ao vivo em rede nacional “Nós garantimos à todos que vamos pegá-los, não importa quanto tempo leve.”. Não sei como cabe para outras pessoas mas para mim, isso soou mais como um aviso aos trombadinhas dos morros, algo como “Vão logo cavando as suas covas.”.
Imagino como os moradores da cidade devem se sentir. Todo mundo sabe que o Rio não é o paraíso da segurança, mas depois do BOPE inteiro ter se reunido junto com as outras polícias e usado tanques de guerra com metralhadoras que podem disparar até mil balas por minuto em plena cidade, os cariocas devem estar se sentindo como se descobrissem que a redoma de vidro que lhes cercava era apenas uma bolha de sabão frágil, que acaba de explodir.
Rio, maravilhoso, bonito, alto-astral, cidade do caos. O bem vence o mal, como disseram mil vezes os entrevistados do jornal. E embora não acredite na divisão entre bem e mal, quero assim como todos acreditar nisso. Fluminenses devem estar sem dormir à noite com a paranóia na cabeça e sirenes nos ouvidos, e eu só dizer que é nessas horas que o Cristo Redentor serve de alguma coisa que não seja fazer charme. Talvez alguém pense quando olha para ele, enquanto o caveirão do BOPE passa pela rua, que o Cristo abre os braços para lhe dar esperança e dizer que Deus olha pela cidade do caos. Que o Cristo abra seus braços ao Rio de Janeiro, e que a cidade do caos volte a ser maravilhosa.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Fim de Ano: Entre o Céu e o Inferno

 
  Quando chega o final de novembro, todo mundo já está estressado. Nós, os adolescentes, simplesmente roemos as unhas só de pensar na ideia de poder chegar - depois de tanto sofrimento - às desejadas férias de janeiro. Sol, praia, verão. E se você é do tipo anti-social, Orkut, MSN, Facebook e dormir até a hora do almoço. Que delícia.
  Mas, é claro que o mundo simplesmente não quer nos dar o ócio que esperamos há pelo menos quatro meses, desde que voltamos das férias de julho. Não! São provas, uma seguida da outra. A cada dia que passa, mais stress. É como ser uma vaca no abatedouro: você só espera rezando pelo dia de amanhã esperando que se dê bem.
  Quem sabe que passou de ano muitas vezes simplesmente troca as tardes de estudo por sessão da tarde e brigadeiro, enquanto aqueles que passaram o ano na sessão da tarde e brigadeiro correm para os livros, em seu último ato desesperado para não ter que ver aquela professora chata enquanto aquele nerdzinho metido cruza as pernas e entope o nariz de bronzeador na beira-mar. E depois, os bons professores, aqueles que têm piedade de seus alunos relaxados, costumam substituir notas de prova pelas de trabalhos, para que os queridos estudantes tenham uma oportunidade de recuperar uma nota que há muito já está comprometida. No entanto, sabemos todos que o aluno preguiçoso muitas vezes não percebe que está condenado e que está recebendo uma ajudinha ao invés dos costumeiros puxões de orelha, logo, continua a copiar tudo da wikipédia, como sempre. Zero. Uau, você desceu ainda mais a ladeira.
  Ah, e ainda tem a questão do tempo. Você fica com muito menos tempo para estudar, uma fez que a sua mãe insiste em te arrastar por aí para ajudar nas compras de natal ou na compra daquele vestido ou camisa que você vai usar no jantar de fim de ano, pois, como ponto negativo da puberdade, você infelizmente não cabe mais na roupa de fim de ano que você comprou ano passado e ela tem que comprar logo antes que os preços pipoquem na temporada de compras natalinas.
  Mas antes que você reclame de notas injustas, diga que o professor trapaceou para que você ficasse na recuperação caro amigo estudante, apenas saiba: fim de ano é o purgatório, e você é julgado pelo que você esteve fazendo no ano inteiro. Caso foi o bom estudo, as férias lhe serão um céu, mas se você não quis nada, infelizmente seu final de ano será algo bem próximo à um pequeno inferno pessoal. Carma existe, caro amigo. E como.


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ENEM - À Pedidos

   Corre, corre, corre! Droga, são dez horas. Tenho que me arrumar, pra chegar de dez e meia. Ahm, porcaria, eu esqueci do meu lápis e da minha borracha. MAINHA, VÊ SE DEIXA O ALMOÇO PRONTO LOGO! Mas peraí, é proibido levar lápis e borracha! Que bom, menos coisa no estojo...Espera! COMO É QUE EU VOU FAZER A REDAÇÃO???!!!
    Felizmente eu não tive que fazer o ENEM deste ano. Mas foi no ritmo de stress digno da guerra do Iraque eu soube que os estudantes ficaram antes da prova. Como eu disse semanas atrás em "Pressão Máxima" provas são papéis almadiçoados que só servem para arruinar nosso sistema nervoso e nos fazer ficar a beira de um ataque de nervos. Além de nos fazer com que questões óbvias virem um negócio tão complexo quanto a Teoria da Relatividade.
   Me perguntaram o que eu achei da prova. Como eu não sou velha estou no Ensino Médio ainda, não fiz o bendito teste. Mas se querem saber eu acho ENEM, Vestibular e qualquer outra dessas provas simplesmente palhaçada. O lógico seria que nós aprendéssemos tudo o que necessitamos no Ensino Médio para fazer um teste onde fóssemos avaliados segundo MEC, para saber se a nossa aprendizagem é eficiente, e não fazer uma prova maior que um trem cargueiro em um tempo relativamente curto, trancados numa sala sem poder sair nem pra comer com questões que não sabemos nem pra quê iremos usar um dia para sermos aceitos numa universidade.
    Querem colocar questões gigantes para nós? Coloquem. Querem fazer uma prova dificílima que só irá aprovar os mais qualificados de todos, deixando de lado outros que apesar de não serem tão bons alunos tem os mesmos direitos de ingressar na universidade? Podem colocar. Agora, é claro que precisa-se ter um sistema educacional que permita aos seus estudantes que façam uma prova assim, porque, querendo ou não, se querem mesmo aplicar o ENEM ou o Vestibular, é preciso que se crie um sistema educacional capaz de preparar os alunos para esse tipo de teste, o que não é o caso do sistema educacional brasileiro.
    Ao invés de gastarem 69 milhões de reais (meu deus, até os números são indecentes nesse país) em provas falhas, melhor seria que investissem tal verba em educação de qualidade para todos, em escolas que funcionem e em professores que hoje são desestimulados e desqualificados para tornar o sistema educacional deste país um dos melhores, ou então pelo menos que não seja um dos piores como é hoje. E se fosse para gastar tanto dinheiro, que gastasse-no em uma gráfica menos falha, pelo amor de Deus.
    Ainda acho ruim ter que pedir às mainhas que tenham que fazer almoço tão cedo, e ainda acho ruim ter que perder o domingo e o sábado para fazer uma prova que no fim das contas ninguém gosta de fazer, mas que pelo menos investissem em qualidade tanto para a aplicação da prova quanto para a educação deficiente do Brasil.
     Hoje educação tornou-se uma forma de segregação social no Brasil, onde os mais pobres tem que ir pra a escola pública e os mais abonados para a privada. Onde você estuda hoje é uma forma de definir sua classe social. E não adianta fazermos provas que melhor avaliam as falhas no ensino que recebemos se já se sabe que não recebemos um bom ensino. Caso contrário, mainha vai continuar fazendo, como faz atualmente almoço às dez da manhã de domingo tendo que desistir da praia cheia de povão e da água salgada cheia de micróbios embutidos para que nós possamos fazer uma prova que na verdade não avalia os melhores, mas sim mostra que a esmagadora maioria não tira boas notas porque está sujeita a um sistema educacional exepcionalmente falho.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Feriadão

   Ah, doce feriadão. A gente amava. Lembra só? Quantos dias você ficava na casa da sua avó, brincando com seus primos, ou então na casa de praia daquele seu tio legal, indo pra praia todo dia, construindo castelos de areia ao sol do meio dia, correndo um iminente risco de desenvolver câncer de pele...Oh. Bons tempos aqueles. Hoje em dia você não tem mais saco de passar mais de 24h no mesmo ambiente que todos os seus primos, incluindo aquela chata que fica o dia inteiro pendurada no telefone, e também não está muito interessado em ficar na casa cheia de insetos daquele seu tio que hoje em dia você acha completamente sem-noção. Na verdade, tudo o que você quer é hibernar num quarto com ar condicionado, ter uma overdose de coca-cola e batatinhas fritas e passar a madrugada navegando na net, como sempre. Mas, bem, pais não são essencialmente compreensivos. Você não vai pra casa da vovó e do titio porque quer. Mas sim porque é obrigado.
   Feriados são uma faca de dois gumes: se por um lado você dá graças à Deus por não ter que ir à escola, você se irrita com o tédio supremo de passar o dia inteiro fazendo coisas que você não quer. Se você for sortudo, você ainda consegue se livrar da barra e passar o feriadão inteiro na sua casa, ficando acordado até as três da madrugada batendo papinho no MSN com aquele seu amigo que faz a peripércia de dormir às seis da manhã, acordando de uma da tarde e é claro, trocando todas as refeições por um belo prato de porcarias unidas à muito refrigetante. Ah, e se você tem casa no campo, naquele condomínio que tem aquela galera legal e aquela vizinha que você reza para aparecer na janela sem sutiã, você também consegue se safar. Mas, claro, nem todos nós somos sortudos. Titio e vovó muitas vezes nos aguardam.
   O verão chegou e agora, se você fica em casa, não tem mais o alívio da hibernação. Você é obrigado a dormir míseras cinco horas do sábado para o domingo, porque, é claro, é o domingão de verão. Acordando cedo, galera, pra todo mundo ir pra praia! Seus pais te sequestram pra você ver o monte de criancinhas correndo pela areia, tiozinhos que tem uma barriga que poderia abrigar trigêmeos bebendo cerveja e é claro, aqueles casos de coroas sem-noção com pelancas e gorduras espalhadas por todos os lados, que usam um biquini-fio-dental que caberia na sua irmãzinha de sete anos e ainda insistem em esfregar bronzeador que faz com que os pnezinhos e as coxas gordurosas fiquem brilhantes, como se tivessem recebido umas pinceladas de óleo de cozinha. Uh, a praia...Doce praia...
  Ainda dá pra se salvar quando aquele gatinho de sunguinha braca aparece correndo com seu tanquinho sarado ou então aquela loiraça bem-feita vem se rebolando de biquininho. Você limpa a vista e fica mais tranquilo. O problema é que coroas gordurosas infelizmente são mais comuns do que gente bonita e sarada correndo por aí, e logo quando você fica todo feliz porque viu aquela aparição na sua frente, geralmente vem uma das coroas chacoalhando a banha o esqueleto pra tirar aquela areiazinha básica que grudou em cima das celulites da bunda.  Oh, Deus, porque você não colocou gente mais sarada no mundo, hein?
  Bem, e depois que você é forçado a entrar na água salgada e ficar lá de molho enquanto seus pais te dizem "É bom pra tirar o mofo de tanto tempo na frente do computador. Sabe que eu não sei como seu corpo não trocou células por pixels?", você finalmente volta pra casa. Na segunda feira imprensada, você pensa que tem paz, mas adivinha só? É dia de você ir pro shopping com papai e mamãe! E assim, mais uma vez, sob ameaças de cortarem a internet, você sai com seus pais, fazendo aquela cara de felicidadade falsa e sorriso de doente enquanto reza à Deus: "Senhor, faz com que este maldito feriado acabe de uma vez!".

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Discussões

  Você não acha mais que os mamutes vivem em algum lugar perto de onde os Teletubies moram e que pasta de amendoim vende no supermercado e é gostoso mas a sua mãe não compra porque ela é  mão-de-vaca natureba. É a época onde você não quer saber mais de Discovery Kids e seus pais dão graças à deus por puderem ir pro cinema para assistir alguma coisa que não é Shrek e nem Toy Story. E, é claro, você anda seriamente interessado em trocar milhões de bactérias com alguém que tem a cara tão oleosa e tão cheia de espinhas quanto a sua, num ritual gosmento e que envolve, em algumas ocasiões, bafo de cebola e troca de chiclete, chamado beijo. Não se preocupe, você não está sendo afetado por algum tipo de tecnologia misteriosa alienígena como o Ben 10. Você está virando adolescente!
  Uma das coisas que envolve a adolescência é a tal da discussão. Antes, quando você brigava com a sua melhor amiga porque ela mordeu o olho da sua boneca sem permissão. Você ia de cara emburrada até o banheiro e quando volta, vocês já estavam mordendo a boneca juntas de novo. Agora, quando você briga com a sua amiga porque ela anda arrastando asa pro seu boyzinho, você chama ela de trabalhadora da night, puxa-lhe os cabelos e manda ela ir fazer coisas pornográficas e não voltar nunca mais. Não que isso tenha acontecido comigo, mas o ponto é o seguinte: quando a gente cresce, discussões vêm à tona o tempo inteiro e quase sempre parecem imperdoáveis. E alguém sabe explicar por quê? Bem, é difícil, é difícil. Mas por aí a gente entende porque Freud gostava tanto de estudar a infância: acho que ele não tinha muito saco de escutar as suas pacientes dizerem que amavam a amiga e na sessão seguinte chegarem dizendo que ela agora era a finada. Ver uma criança fazendo cocô e entender que ela gosta de fazer cocô é mais fácil do que entender porque essas malditas relações de amizade adolescente parecem sempre estar entre tapas e beijos.
   Bem, chegamos a conclusão de que adolescente é barraqueiro. Acho que isso se deve porque já não somos tão influenciáveis quanto éramos quando crianças. Agora pensamos com nossos próprios cérebros, e somos teimosos. Pintamos as nossas unhas de vermelho mesmo que a mãe desaprove, e às vezes saímos com aquele vizinho que a mãe acha que é trombadinha. E não estamos nem aí. Ficamos jogando as coisas erradas debaixo do tapete, como se nunca tivéssemos feito aquilo e falamos mais sobre nossas vidas com nossos amigos do que com nossos pais. Mudamos em 180 graus. E quando alguém vem fazer o que a gente não gosta, vamos defender as nossas opiniões, afinal o seu inimigo não tem mais a arma contar pros seus pais o que você fez, porque, sinceramente, você já perdeu há muito o medo dos seus pais. E eles não podem mais te proibir de assistir Barney, porque você não assiste mais Barney!
  Forças estranhas chamadas hormônios fazem isso junto aos pais que cada dia nos cobram mais, somados aos professores que com a desculpa de que "vocês não são mais crianças" passam tantas tarefas de casa que poderiam encher a caçamba de um caminhão. Hormônios + pais não compreensivos + teachers loucos = stress. E por mais injusto que seja, a gente tende a descarregar em quem não tem nada haver, bigando com os amigos. Tudo bem que às vezes os nossos amigos fazem umas  merdas caquinhas que acabam gerando as discussões, mas eu já vi gente brigar por causa de uma borracha velha e suja. E eu falo brigar de levantar a voz e estar a ponto de puxar cabelos. Gente, por favor, não vamos brigar por causa de borrachas semi-inúteis, ok?
  E pode ser que a gente brigue, mas no fim, a infância que rejeitamos tanto ainda vive dentro de nós. A gente acaba perdoando os erros e as merdas caquinhas que nós e nossos amigos fazemos, que nem as meninhas que voltaram a morder a boneca juntas. Vamos sempre discutir, de todas as maneiras e jeitos. Às vezes a gente perdoa, às vezes não, mas  a gente briga e arranja um jeito de fazer as pazes e mais uma vez, voltar a trocar tantos torpedos que nossos pais chegam no fim do mês berrando com uma conta telefônica que mais parece nota fiscal de supermercado na mão. E eu vou dizer uma coisa: vamos continuar fazendo isso até o fim dos tempos, porque do jeito que Freud não entendia, acho que ninguém vai descobrir por que adolescente briga tanto. Até lá, tentemos não nos atracar por causa de borrachas.

Pressão Máxima

 Testes, em geral e estereotipando são uma coisa bem estressante. Acho que a maioria de nós já está acostumado, mas te colocar numa sala sem direto à ir ao banheiro, beber água, em silêncio absoluto, sem poder manter nenhum contato com ninguém, nem o seu amiguinho imaginário se você for autista, já é uma coisa estressante. Imagina só quando você é submetido à todos esses fatores + uma concorrência desleal que reza pra que você morra de algum tipo de acidente macabro pra você ser um a menos na concorrência? É difícil, é difícil.
  Cheguei no pátio do colégio em que ia fazer o teste. Minha mãe vinha logo atrás, calmíssima. Logo que entramos, ela soltou uma piadinha que me fez rir. Acho que eu era a única pessoa rindo ali. Tinha uma mãe que dizia para a sua filha, que eu acho que era mais nova que eu: "Você vai passar, minha filha! Você estudou muito pra isso, eu sei que vai!". Querida, lembre-se que quem faz o teste é a sua filha, e não você. Fizeram a chamada, e em filinha indiana, nos levaram até as salas, como se fóssemos do maternal. Todos se sentam, e as fiscais, duas mulheres loiras e bonitas com sorrisos que de tão grandes pareciam de duendes entregaram as provas.
  Uma fiscal começa: "Muito bem, desliguem os celulares, guardem os estojos, quero só seus lápis, borrachas e canetas em cima da mesa. Ah, e se você for pego olhando pra prova do coleguinha...nós vamos tirar a sua", Tia, uma coisa. Todas as criaturas fêmeas da sala já menstruaram e todos os machos se trancam no banheiro com playboy ou com aquela revista que o Kaká apareceu com jeans de zíper aberto. Poupe-nos desses coleguinhas e guarde-os pro seus netinhos. "Ah, e não precisam ficar nervosos! Isso não é um vestibular ou um ENEM, é um teste de admissão....". ATENÇÃO FISCAIS DE PLANTÃO: Poupem-nos disso. Ninguém dá ouvidos à vocês. Na verdade, as pessoas estão pensando coisas como "tomara que alguém não saiba essa questão. Menos um!"quando vocês dizem isso. Então, se não querem pilhas de nervos cada vez maiores lhe fazendo perguntas a cada instante, apenas calem a boca.
 Claro que eu disse meu mantra interno que eu repito antes de todas as provas: "Esvazia a cabeça. É só uma prova", mas não adiantou. Errei a primeira questão de certeza e estava tão nervosa que não conseguia pensar na resposta das questões mais simples. Olhei à minha volta. Meus coleguinhas de teste praticamente se deitavam sobre o papel e cercavam a bedita folha com os braços, como um guerreiro que faz uma muralha para que o inimigo não vizualize seu território. Perguntas inundavam o ar, e a fiscal repetia aquele eterno discurso que todo professor TEM que dizer: "Sabe o que é? É que me dá uma amnésia em dia de prova....!".
  Uma coisinha que tinha os cabelos na bunda e uma blusa que eu tenho certeza que custou a minha mesada de dois meses inteiros, do tipo que faz qualquer menino dar um belo fiu-fiu, mordia o lápis de metal com tanta força que eu já podia ver pontinhos pretos na pontinha prateda. Um outro menino lá atrás estava tão pálido que eu achei que ele e o papel eram gêmeos siameses. Um menino baixinho, coitado, chorava tanto que os seus olhos estavam como duas bolas de fogo. Saiu da sala direto pra a enfermaria.
  Foram quase três horas, porque é um teste de admissão. Assuntos que eu só vou aprender no próximo ano se misturavam com outros que eu já aprendi há tanto tempo que não sei nem pra quê servem. Vi muita gente entregar páginas em branco, acho que só para sair da sala, e no fim eu já estava de saco tão cheio que esqueci de corrigir uma questão que eu sabia que estava errada. Ao entregar a prova, uma fiscal sussurrou no ouvido da outra alguma coisa envolvendo meu nome que me fez entrar em paranóia pelo resto do dia: será que ela acha que eu colei de alguém? Será que eu estou desclassificada? SERÁ QUE COLARAM DE MIM E EU NEM PERCEBI?!
 Bem, a gente faz pova mas não devia fazer. Aluno significa sem luz em latim, e prova eu não sei, mas deve ser algo como tortura em letras. E a concorrência está matando hoje em dia. E a mulher que num dia desses matou dois concorrentes para conseguir uma vaga num concurso público que o diga.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Um Show Pra Toda a Vida

  Claro que quando uma banda fuderosa vem parar num fim de mundo vai ser um fenômeno. Pessoas acostumadas a viver esquecidas e com shows emocionantes de Nando Cordel, Rita Lee e Titãs não vão vibrar. Vão explodir. Nada contra Nandito, Ritinha e Belotto e sua trupe, mas é que realmente, temos que admitir que nas terras do Leão do Norte, a abstinência de grandes atrações internacionais faz com que a apresentação do cover dos Beatles seja um grande acontecimento. Não estou denegrindo os shows de MPB, mas vamos admitir que os ícones da minha juventude e da juventude atual não são os Titãs e os Paralamas, com nos anos 80. Somos obrigados a admitir, querendo ou não, que Lady Gaga e Beyonce são muito mais apreciados que as bandas nacionais. E não vale dizer que Restart está com tudo, porque a influência deles nunca vai chegar à das bandas americanas.
  E é claro que nem que fosse uma criatura que já não está tão no auge como a querida Cristina Aguilhera ou alguém que nunca alcançou um sucesso muito grande pelas terras tupiniquins como a Ciara faria uma casa de show lotada.
  Se é assim, como seria com uma grande banda da atualidade como The Black Eyed Peas? Simplesmente, com a melhor expressão que posso achar, um Boom Boom Pow!
  Casa cheia, gente se agarrando, fila para os agradáveis banheiros químicos fazendo cobrinha e o agradável e distante cheirinho de maconha no ar em alguns instantes. Bêbados imitando macacos e um tapado insensível fazendo uma namorada furiosa ao berrar "FERGIE, EU TE AMO, PORRA!" para todo mundo ouvir. E é claro, só deu Fergie. Fazendo todo mundo se emocionar e cantar berrando com uma bela apresentação de Big Girls Don't Cry, ela simplesmente foi a rainha da noite. Will-I-Am não fez faltar elogios ao Brasil. Prometeu que ano que vem voltava, que compraria uma casa e que queria morar por aqui pelo resto da vida. Elogiou claro, as sexy samba dancers from Recife, e como é gringo está perdoado. Mas acho que se ele resolver vir pras terras brazucas mesmo, vai entender que não há muitos brasileiros que tenham samba no pé tirando os cariocas. Foi mal , Willie, mas por aqui o hit é frevo.
  As melhores partes da festa foram: o curioso movimento que Fergie consegue fazer com os seios sem ajuda de nada além dos prórpios músculos, o rap das armas que Will-I-Am rodou numa hora em que fez remixagens com as músicas mais inusitadas, e é claro, a linda interpretação de Where Is The Love? que contou de corações feitos com as mãos do público estendidos no ar e depois com celulares ao alto, que de loge pareciam velas emanado luz dignas de filmes românticos.
  Com um final estrondoso com I Gotta Feeling, a banda agradeceu ao público e descreveu sua turnê pelo Brasil como um sonho realizado, um voo muito alto. Bem, verdade ou não, só há algo que eu posso dizer:
se eles não realizaram um sonho para si, realizaram um dos meus pra mim.