Claro que quando uma banda fuderosa vem parar num fim de mundo vai ser um fenômeno. Pessoas acostumadas a viver esquecidas e com shows emocionantes de Nando Cordel, Rita Lee e Titãs não vão vibrar. Vão explodir. Nada contra Nandito, Ritinha e Belotto e sua trupe, mas é que realmente, temos que admitir que nas terras do Leão do Norte, a abstinência de grandes atrações internacionais faz com que a apresentação do cover dos Beatles seja um grande acontecimento. Não estou denegrindo os shows de MPB, mas vamos admitir que os ícones da minha juventude e da juventude atual não são os Titãs e os Paralamas, com nos anos 80. Somos obrigados a admitir, querendo ou não, que Lady Gaga e Beyonce são muito mais apreciados que as bandas nacionais. E não vale dizer que Restart está com tudo, porque a influência deles nunca vai chegar à das bandas americanas.
E é claro que nem que fosse uma criatura que já não está tão no auge como a querida Cristina Aguilhera ou alguém que nunca alcançou um sucesso muito grande pelas terras tupiniquins como a Ciara faria uma casa de show lotada.
Se é assim, como seria com uma grande banda da atualidade como The Black Eyed Peas? Simplesmente, com a melhor expressão que posso achar, um Boom Boom Pow!
Casa cheia, gente se agarrando, fila para os agradáveis banheiros químicos fazendo cobrinha e o agradável e distante cheirinho de maconha no ar em alguns instantes. Bêbados imitando macacos e um tapado insensível fazendo uma namorada furiosa ao berrar "FERGIE, EU TE AMO, PORRA!" para todo mundo ouvir. E é claro, só deu Fergie. Fazendo todo mundo se emocionar e cantar berrando com uma bela apresentação de Big Girls Don't Cry, ela simplesmente foi a rainha da noite. Will-I-Am não fez faltar elogios ao Brasil. Prometeu que ano que vem voltava, que compraria uma casa e que queria morar por aqui pelo resto da vida. Elogiou claro, as sexy samba dancers from Recife, e como é gringo está perdoado. Mas acho que se ele resolver vir pras terras brazucas mesmo, vai entender que não há muitos brasileiros que tenham samba no pé tirando os cariocas. Foi mal , Willie, mas por aqui o hit é frevo.
As melhores partes da festa foram: o curioso movimento que Fergie consegue fazer com os seios sem ajuda de nada além dos prórpios músculos, o rap das armas que Will-I-Am rodou numa hora em que fez remixagens com as músicas mais inusitadas, e é claro, a linda interpretação de Where Is The Love? que contou de corações feitos com as mãos do público estendidos no ar e depois com celulares ao alto, que de loge pareciam velas emanado luz dignas de filmes românticos.
Com um final estrondoso com I Gotta Feeling, a banda agradeceu ao público e descreveu sua turnê pelo Brasil como um sonho realizado, um voo muito alto. Bem, verdade ou não, só há algo que eu posso dizer:
se eles não realizaram um sonho para si, realizaram um dos meus pra mim.
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